Os Encontros com o Cinema do Centro Cultural Malaposta apresentam esta Sexta-feira, às 21h30, o filme “Fuga” do realizador Luís Filipe Costa, numa sessão onde o realizador estará presente
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O filme foi realizado em 1999 com argumento de Luís Filipe Costa baseado na novela "Apuros de um pessimista em fuga" de Mário de Carvalho. A fotografia é de Elso Roque, a música de Luís Cília e a produção de Luís de Freitas. Do elenco fazem parte Diogo Infante, Margarida Marinho, Margarida Carpinteiro, João Lagarto, Carlos Santos, Ivo Canelas, José Manuel Mendes, Guilherme Filipe, Jorge Silvae Pedro Efe
A acção do filme passa em quatro planos: Em tempo real de acção, em flashbacks, num tempo em que acontecem cenas antevistas pelo protagonista e num tempo em que ele imagina cenas que poderão acontecer. A este último tempo pertencem as cenas de tortura, que ele imagina.
Pedro, o protagonista, é um jovem vulgar, de aparência frágil, viúvo de Marília, aspirante a escritor e que sem ser um forte revolucionário, colaborava na pequena destabilização metendo panfletos nas caixas do correio, redigindo comunicados, fazendo trabalho de aliciamento político nas cooperativas, colaborando em cineclubes. Na noite de 24 de Abril, Pedro recebe a notícia de que a sua casa foi assaltada pela PIDE e tem ordens para passar à clandestinidade. Pedro, desesperado, foge, procurando uma saída, sem saber que no dia seguinte a revolução iria estalar e todos os medos desapareceriam.

Luís Filipe Costa nasceu em Lisboa em 1938. Frequenta o curso de economia no Instituto Superior de Ciências Económicas e Financeiras que rapidamente abandona para se dedicar a gravações de teatro radiofónico. Locutor do Rádio Clube Português desde os anos 60, passando depois a responsável e chefe de redacção, lugar onde permanece até 1973. «Aqui Posto de Comando das Forças Armadas. As Forças Armadas portuguesas apelam para todos os habitantes da cidade de Lisboa no sentido de recolherem a suas casas, nas quais se devem manter com a máxima calma. Esperamos sinceramente que a gravidade da hora que vivemos não seja tristemente assinalada por qualquer acidente pessoal, para o que apelamos para o bom senso do Comando das Forças Militares no sentido de serem evitados quaisquer confrontos com as Forças Armadas. Tal confronto, além de desnecessário, só poderá conduzir a sérios prejuízos individuais, que enlutariam e criariam divisões entre portugueses, o que há que evitar a todo o custo. Não obstante a expressa preocupação de não fazer correr a mínima gota de sangue de qualquer português, apelamos para o espírito cívico e profissional da classe médica, esperando a sua acorrência aos hospitais, a fim de prestar a sua eventual colaboração, que se deseja sinceramente desnecessária».
(Comunicado do MFA lido por Luís Filipe Costa na manhã (7h30) de 25 de Abril de 1974, aos microfones do Rádio Clube Português) Entra na RTP no início dos anos 70, primeiro como jornalista depois como realizador. Fundador da produtora de cinema, Cinequanon, para a qual realizará muitos dos seus filmes, contudo a sua actividade tem sido centrada sobretudo na RTP. Para além de ter realizado peças radiofónicas, e assinado várias séries de ficção para a RTP, onde se incluem algumas das melhores produções nessa matéria, Luís Filipe Costa escreveu o romance "A borboleta na gaiola", edição Vega, Lisboa, 1985, e "Agora e na hora da sua morte", edição Vega, Lisboa, 2008. Luís Filipe Costa é pai de Pedro Costa, «Um dos mais significativos realizadores de cinema português».
O Centro Cultural Malaposta vai homenagear a obra de Luís Filipe Costa apresentando uma Mostra Retrospectiva dos seus filmes. "A Voz de Abril Parte 1 Os Documentários a partir de 23 de Abril e, Parte 2 As Ficções, de 19 a 22 de Maio.
Texto e fototografia: Centro Cultural Malaposta
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