|
Inaugurada há poucos meses e construída no âmbito de uma Parceria Público Privada, a escola dos Apréstimos, na freguesia da Ramada, apresenta vários problemas que tardam a ser resolvidos, segundo denúncia da Associação de Pais e Encarregados de Educação (APEE) da escola.
A denúncia foi feita em carta enviada aos órgãos de comunicação social, à presidente da Câmara Municipal de Odivelas e a vários vereadores. Para que os problemas sejam resolvidos a APEE tem «Insistentemente, apelado às entidades competentes que deveriam de supervisionar estas e outras situações e, como resultado, obtemos uma inércia e um silêncio que nos preocupa e indigna».
Diz a associação que a escola abriu «Com deficiências muito graves que implicam, inclusive, situações de perigo para a integridade física das crianças e não só», situações que não foram ainda resolvidas.
Logo na altura da sua constituição a associação teve como prioridade colaborar com o município, o Agrupamento de Escolas Vasco Santa e a própria escola. Na altura foi solicitada uma reunião ao vereador Paulo César mas até agora a reunião tem sido adiada e não foi ainda realizada, segundo a APEE. O vereador Paulo César explicou ao Nova Odivelas que o interlocutor da câmara com as associações de pais é a Divisão de Educação e que os assuntos que tenham a ver com o seu pelouro serão tratados internamente com a referida divisão. Paulo César reconheceu que a APEE tem razão em algumas das coisas que refere mas afirmou que está acordado entre a direcção da escola e a CMO a resolução desses problemas durante o período de férias escolares, uma vez que, na altura desse acordo, se estava a um mês do final do ano lectivo e não seria bom perturbar o funcionamento da escola.
Foi também solicitada reunião à vereadora da Educação, Fernanda Franchi, que se realizou a 06 de Janeiro onde foram apresentados os problemas. Nessa reunião «O Dr. Gabriel Caetano, da Divisão de Educação da CMO, ofereceu-se para reunirmos, sempre que fosse necessário, para debater os problemas da escola». A associação solicitou nova reunião com visita à escola para mostrar o que não estava bem. A visita realizou-se a 24 de Fevereiro com Gabriel Caetano; Paula Dias, directora da escola; Fátima Vaz, representante do agrupamento e representantes da associação de pais.
«Depois da visita, o Dr. Gabriel informou-nos que o mobiliário estaria a uma, no máximo duas semanas, de ser colocado escola. O Dr. Gabriel disse-nos ainda que, qualquer assunto relativo à escola seria ele o interlocutor».
Em Março foi enviado um e-mail e uma carta onde a associação invocava de novo os vários problemas da escola. Em Abril foi pedida nova reunião para saber o ponto da situação. «Como resposta, obtivemos uma frase muito curiosa "não vos damos qualquer resposta por não haver resposta a dar"».
Posteriormente a APEE recebeu o da Autoridade Municipal de Saúde «Que corrobora todas as nossas preocupações e mais algumas».
A associação fala de escassez de mobiliário «Sendo necessário utilizar o parapeito das janelas para fazer de estante»; diz que os WC’s adaptados para as crianças portadoras de deficiência são para adultos; «Na sala polivalente, que serve de ginásio e refeitório onde as crianças se alimentam em simultâneo com outras crianças que praticam Actividade Física e Desportiva e mais uma vez as crianças portadoras de deficiência são as que estão mais próximas, devido à localização da sua mesa. E os talheres, esses até há pouco tempo estavam enrolados num guardanapo e só por força da nossa insistência começaram, agora, a aparecer em sacos individuais».
A associação refere ainda a existência de diversas bocas-de-incêndio sem qualquer protecção «Tornando-se muito perigosas para qualquer pessoa que tenha o azar de esbarrar com uma delas mas, sobretudo quando se encontram no local onde as crianças brincam. No mesmo local onde até há muito pouco tempo existiam bancos de cimento com arestas vivas e que, as pessoas com responsabilidade já tinham conhecimento mas, só depois da insistência desta associação, mandaram bolear essas arestas. Uma coisa tão simples mas que foram necessários vários meses». No local onde as crianças brincam, «Existe um candeeiro muito apelativo, acessível a partir do topo, que pode significar uma queda de 5 ou 6 metros».
A associação reconhece «O meritório trabalho das senhoras auxiliares e dos professores» admitindo a dificuldade de «Duas funcionárias, conseguirem travar a impetuosidade normal de tantas crianças. Sim, é verdade, duas auxiliares porque se de manhã estão três, de tarde estão duas e, na semana seguinte, alternam».
A APEE contesta ainda a falta de uma sala própria para as funcionárias, professores e associação de pais, acrescentado «Mas também vamos ser honestos. Para que serviria uma sala à Associação de Pais se não tem chave nem código para poder entrar na escola. Só pedimos é que não nos questionem o porquê. De facto, também não sabemos». Dizem que o agrupamento depois de ter dito que daria a chave e o código remeteu para a câmara. «Continuamos à espera. Queremos fazer reuniões e temos que esperar que haja disponibilidade para as fazermos, normalmente na sede do Agrupamento. Isto significa que estamos sempre dependentes de terceiros. Para a última, contámos com Junta de Freguesia que nos cedeu um espaço para o fazermos».
Queixam-se que «Quando entramos na escola, temos de ter alguma atenção porque nunca sabemos quando nos cai água em cima ou podemos ver mais um buraco no teto. É verdade, existem buracos no teto porque, quando chove, cai água na escola. O último começou há cerca de um mês».
A falta de passeios para as crianças que residem na urbanização Jardim da Amoreira ou que vêm do bairro que deu nome à escola. «O pior não é a falta de passeios, o pior é que as crianças e os pais que estacionem acima da escola ou venham daquelas localizações terem que passar pela faixa de rodagem porque, mais uma vez, houve alguém que se esqueceu que, sobretudo as crianças, devem de andar no passeio e não no mesmo sítio onde andam as viaturas».
Henrique Ribeiro Fotografias: APEEEA
|